Fui eu que me despistei, larguei tudo e segui pelo caminho ideal. Achei que vivia bem assim, com a segurança fabulosa do presente sem nunca olhar para trás. Mas a estupidez e as raivas do passado visitaram-me sempre. Deixei aquelas pessoas que nunca foram minhas Amigas e que nunca se esforçaram para me compreender, mas que também nunca me deram motivos suficientemente fortes para eu as abandonar umas com as outras.
Fui eu que me despistei. Fui eu que vos abandonei, fui eu a última a recusar a companhia de pessoas que me faziam quase sempre sentir mal. Fui eu que, por ser demasiado diferente e não ter coragem para vos gritar "EU SOU *isto*" deixei que pensassem que fui e sou eu a estúpida que, de um momento para o outro se afasta de toda a gente sem motivos aparentes, a que substitui toda a gente por outra gente e o faz sem remorso.
O motivo sempre existiu e até aparentava, vocês é que não quiseram vê-lo. Acomodaram-se ao facto de eu ter supostamente mudado e transformaram-se numa pseudo-cabala de conspiração contra alguém que poderiam ter compreendido se se tivessem dedicado a tamanha trabalheira e paciência. Fui eu que me despistei, mas foram vocês que me deixaram sem mapa.
Há uns dias fez 4 anos que umas das minhas amigas morreu. Escrevo esta palavra, mas ela ainda me custa escrever, ainda me custa dizer como se toda aquela situação voltasse de repente a arrancar a pele da mesma forma que então.
conhecia-a já há muitos anos. Nós dávamo-nos bem. Não éramos melhores amigas, nem éramos inseparáveis. Mas apreciávamos verdadeiramente a companhia uma da outra. Andámos no mesmo colégio e, embora só nos encontrássemos no final das aulas, o percurso do colégio a casa era entre nós as 3: eu, a X e a L. A maioria das vezes saíamos do autocarro umas paragens antes e fazíamos o resto do percurso a pé e a falar. Não me perguntem sobre que falávamos mas gostávamos de o fazer. O primeiro destino era o da L e pouco depois o meu. Muitas vezes, a X ficava comigo, na minha paragem, a falar mais. Outras vezes ia namorar às escondidas dos pais e eu encobria-a se a mãe me ligasse preocupada por ela estar atrasada. Não era grave. Ela estaria viva no dia seguinte.
Quando ela ficou doente, eu já não a via há um tempo. Ela ainda andava no colégio, mas eu já estava a estagiar. E foi de um momento para o outro.Desmaiava muitas vezes sem que ninguém percebesse porquê. Ia para o hospital. Fizeram-lhe diversos testes e não conseguiam descobrir que doença ela tinha. Ficou hospitalizada. Poucos dias passaram e as notícias que recebíamos eram cada vez piores. Só não tínhamos noção que eram TÃO más - ou não queríamos acreditar.
Enviámos uma mensagem com a letra "Um pouco de céu" da Mafalda Veiga - a preferida dela. E ela respondeu com muita alegria. Um dia depois fomos, em grupo, ao hospital visitá-la. Tínhamos comprado chocolates dos bons para lhe adoçar o apetite... Não chegámos a vê-la.
Ela tinha um tumor no cérebro e tinha-se alastrado a todo o corpo. Nesse mesmo dia tinham-lhe induzido o coma. Os pais, coitados dos pais, ... parte-me o coração só de me voltar a lembrar de como eles estavam nesse dia. E o irmão parecia uma barata tonta. Legalmente podíamos ter ido vê-la, mas a mãe fez questão que não fossemos. «Ela está muito desfigurada, eu quero que vocês se lembrem dela como ela era». Claro que respeitámos, ainda meio parvas, com a porra dos chocolates numa mão e a porra da resposta dela à mensagem na outra. Olhávamos para ambas as coisas e pensávamos «mas.... » «mas... » «mas.... ». A única pessoa que os pais deixaram que a visse naquele estado foi a mãe de uma de nós, por ser enfermeira. O relato foi... assustador.
Ficámos naquele hospital ainda algum tempo à espera de notícias por parte dos médicos que a estavam a examinar. Saímos de lá com a pior das notícias «não está a responder a estímulos». Voltámos para casa na viagem de metro e autocarro mais silenciosas que, juntas, alguma vez fizemos Do nada, uma pergunta «e os chocolates?!» e foi ver-nos a rir à gargalhada feitas idiotas (totalmente a lembrar a cena do funeral do George de Anatomia de Grey - talvez por isso compreenda tão bem essa cena anyway). Depois parámos e o resto da viagem continuámos caladas. e o resto do dia. e o resto da noite...
Não éramos burras, mas todas nós queríamos tanto acreditar.... merda, queríamos acreditar que ela não ia morrer. afinal ela ainda estava viva. podia muito bem assim de repente mexer um dedo... Na minha cabeça imaginava aquelas cenas de filmes em que já não há esperança e derrama-se uma lágrima de tristeza no peito da pessoa e ela, do nada, acorda. Lembrava-me disso e queria acreditar e isso fazia-me sentir calor.
Não é, por isso, de admirar que o dia seguinte tenha sido um banho de água fria. A minha melhor amiga de então ligou-me:
[...] Eu acho que passei a minha vida a ser amiga e nunca me preocupei muito em ter amigos... e sempre me contentei com os "amigos" que tinha. Por isso, sempre guardei tudo para mim, no meu próprio mundo, e só eu sabia o que se passava comigo. Acho que aprendi mesmo a viver assim: a ouvir sem falar; a observar sem ser observada. No fundo, sempre passei despercebida e é provável que seja por isso que nunca senti tanta necessidade [como tu] de vestir preto.
Digamos que não foi preciso ter alguém sempre a dizer que eu era ninguém para me convencer disso. Porque, de facto, eu era mesmo ninguém. Eu era invisível para eles e, provavelmente, nem para gozar servia. Eu era um nada para todos. Nunca me ria, não falava, andava muitas vezes sozinha e só se aproximavam de mim quando estava acompanhada de supostas amigas. Aliás, aproximavam-se era delas! Eu chegava ao fim do ano lectivo sem saber o nome das pessoas da minha turma.
No grupo de amigas eu sentia-me sempre a mais. Havia segredos que só eu é que não sabia. Mas eu não tinha mais ninguém e, como tu disseste, "era suposto ter amigos"! =) Aprendi a fechar-me ainda mais.Aprendi a não confiar em ninguém, ou, pelo menos, a saber perfeitamente o que esperar das pessoas em quem confiava.
[...] Ninguém sabia lidar com isso e eu não conseguia lidar com nada. E fui-me fechando cada vez mais e mais e mais. Sim, acho que era anti-social.
Bem, isto são 2 - 3 anos da minha fantástica existência (5º - 6º ano). Acho que para já não consigo escrever mais. [...]
hum... se estás neste momento a ler isto, significa que nunca confiei tanto em ninguém na minha vida inteira como estou a confiar em ti [...] Obrigada por me deixares confiar em ti!
Quando era miúda,
queria ser fixe, queria que dissessem que era fixe. Achava que isso
era um qualquer selo de autenticidade de aceitação social. e pior,
achava que precisava mesmo desse selo. Tentei, obviamente, conseguir
esse selo, praticando muitas estupidezes (que não há outra forma de
o conseguir). Mas eu não conseguia disfarçar que era diferente, que
não era fixe, pelos meus gostos e pelas minhas preferências, por
atitudes que tomava e que deixavam qualquer fixe a pensar "que
croma". Mantive longas amizades com pessoas com as quais não me
identificava, que não me compreendiam, que gozavam com as minhas
opções.
O facto de eu
ouvir música pesada, para alguns, era uma anedota, para outros era-o
o facto de eu ouvir também música calma. Anedota também foi o
facto de eu querer ser vegetariana ou simplesmente o amor. o amor...
Eles não sabiam, mas estavam a tornar-me mais forte, a dar-me mais
motivação para continuar a gostar do que gosto e não querer saber
do que é ou não fixe. Também me deram força para uma coisa menos
feliz, mas isso é outra história. E deram-me força, sobretudo para
me afastar de gente fixe porque, bem, isso para mim não era fixe.
Eles é que eram cromos, fotocópias uns dos outros, hipócritas
recalcados.Conhecer a minha melhor amiga naquela altura foi, na
verdadeira e completa acepção da palavra, a minha salvação.
As pessoas cansam-se de mim porque eu
digo o que penso, não o que esperam que eu diga. Esse deve também
ser o motivo pelo qual gostam de mim.
Título Original: The Vagine Monologues Lançamento: 2002 Direcção: Eve Ensler Actores: Eve Ensler, Steve C. Lawrence, Cathy Richardson. Duração: 76 min Gênero: Comédia / Documentário País: Estados Unidos
(Indicação Etária: + 16)
Sinopse: Criado e interpretado por Eve Ensler, que debutou no off Broadway em 1996. Este controverso trabalho iniciou rapidamente uma onda nacional de boas críticas e continuou a percorrer a América do Norte e todo o mundo. Os Monólogos da Vagina captura a performance única de Eve Ensler e viaja para além dos palcos à medida que ela explora o ímpeto criativo por trás dos monólogos, e conduz uma série de novas e reveladoras entrevistas tão inspiradoras como aquelas que motivaram o trabalho original.
Porque é que me marcou?
Não sei muito bem o que dizer, além do óbvio... Mas terei de ir por aí. O Monólogos da Vagina fez-me perceber que algo está errado no mundo quando não podemos chamar a uma parte do nosso corpo o verdadeiro nome dela. Fez-me perceber o quão ridículo é dizermos "lá em baixo", "pombinha", "pipi", "cona", etc..., fez-me perceber como a maioria dos homens não sabe como lidar com uma vagina, não sabe como fazer a mulher sentir-se bem por ter uma vagina, além de lhe atribuir a única função de receber um pénis... Entre muitas outras coisas. É um filme feminista com um óptimo sentido de humor a eufemizar a provocação e verdadeiramente íntimo e público ao mesmo tempo.
Não encontrei um Trailer decente por isso aqui vai um excerto do filme:
A noite assusta-me, mais
do que qualquer outra coisa. Eu não tenho monstros debaixo da cama
ou no armário, as sombras esquisitas das árvores na parede não me
incomodam e o paranormal não é uma ameaça. O que me assusta é
outra coisa, outra coisa invisível, mas existe. É que à noite os
meus Monstros libertam-se e comem-me viva. Esgotam-me os sorrisos e
criam rios pela minha cara que continuam pelo meu pescoço, até ao
meu peito. É assim que me secam os olhos. O pior é que os meus
Monstros não são imaginação ou miragem. Atormentam-me,
torturam-me e por vezes tentam matar-me. A noite assusta-me mais do
que qualquer outra coisa e eu tenho medo. Os meus Monstros trazem o
pior de mim e vêm acompanhados de todos os meus medos. Outras vezes
são persistentes e resistentes ao tempo. Arrastam-se pelas horas e
deixam de ser criaturas da noite para passarem a escurecer o dia. E o
meu sono arrasta-se acordado porque não me deixam fexar os olhos.
Faz parte da tortura. Eu? Eu olho em redor. A luz fica pesada na
parede e tudo fica congelado. Todos os átomos, partículas ou
células parecem estar congelados. Por vezes também eu fico
congelada, concentrada nas estátuas que me rodeiam e na minha
estúpida respiração que interrompe. Outras vezes, crio
movimentos porque preciso circular o ar que, por uma claustrofobia
cáustica, me encurrala. Mas os Monstros mais combativos são aqueles
que trazem a verdade. Esses vêm para ficar. Esgotam-me
exaustivamente até que perco o tempo, até que perco a força, até
que perco a coragem, até que perco a vontade e me dou finalmente por
vencida pelos meus Monstros da Verdade. Durmam bem, Monstros da
Mentira. Os outros Monstros? Não saberia viver sem eles.
"Os tempos mudam", dizia o Careca, e, com o tempo, "mudam as vontades". Perguntei ao Careca se a sociedade é assim tão careca. Se escorrega ao som do relógio ou se o relógio o empurra sem piedade. Mas o Careca não sabe se há novos tempos , se há novas vontades, ou se o primeiro a mudar é aquele que anda ou aquele que sonha. "A aceitação de uma frase feita é perigosa", disse o Careca, crime que interrompe a mudança numa dança ofuscada capaz de esconder a saudade dos tempos nas novas vontades.
Lançamento: 1951 Direcção: Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske Actores (1975): Therezinha (Alice), ? (Coelho Branco), Otávio França (Chapeleiro Louco), José Vasconcelos (Gato), Sara Nobre (Rainha de Copas)
Duração: 90 min
Gênero: Animação País: Estados Unidos
Sinopse: Após seguir um coelho de colete e relógio, Alice embarca em uma aventura por um mágico mundo cheio de figuras inusitadas. Tentando encontrar o coelho, acaba conhecendo diversos personagens marcantes e se envolve em grandes confusões.
Porque é que me marcou?
A Alice era e continuo a ser eu. Sou aquela curiosa que sempre passou mais tempo com a imaginação do que com a realidade, sou aquela que via coisas maravilhosas que mais ninguém via e que me afastavam da crueldade do que me rodeava fisicamente, exteriormente. Constantemente distraída de tudo o resto, no meu interior tudo podia acontecer e só eu é que tinha acesso ao meu próprio país das maravilhas. Este é provavelmente o filme que mais vezes vi. Mas este mundo de Alice, afinal de contas, aproxima-se muito da realidade. Onde há os superiores que se aproveitam da fragilidade dos inferiores, os grupos que só querem saber deles próprios e não percebem que há alguém de fora a precisar de ajuda, os oportunistas, os egoístas, os que empurram os outros para assumir as culpas ou para fazer as tarefas difíceis e que não querem fazer, as flores mais bonitas mas egocentricas e crueis com quem não é uma flor bonita, excluíndo-a e gozando com ela.
é um filme que reflecte a pressa de crescer e de "ser alguém" e de como isso leva, nos outros, a uma tentatica de esteriotipização dado que a definição de uma pessoa pelo seu nome ou "espécie" (humana) é insuficiente aos olhos deles e gera medo pelo que não conhecem; os múltiplos caminhos que só nós podemos escolher e os conselhos que a curiosidade não deixa seguir; os labirintos que é necessário percorrer para chegar até às pessoas importantes e que são alguém - superiores, e o medo dos seus submissos que obedecem sem questionar a todos os caprichos e vontades; e os labirintos que são precisos correr para escapar a esse poder.
Um feliz não aniversário ou desaniversário para todos vocês! :)
O Trailer:
O FILME (em 8 partes no youtube):
Esta animação da Disney (supervisionada ainda pelo próprio Disney) foi baseada no conto "Alice in Wonderland" de Lewis Carroll e pormenorizado com elementos da obra "Through the Looking-Glass" (que é uma continuação da primeira) do mesmo autor. Em 2010, Tim Burton também nos Estúdios da Disneyfez uma espécie de continuação da história de Alice.
Esta revisitação por Tim Burton conta com os actores Mia Wasikowska (Alice), Johnny Depp (Chapeleiro Louco), Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha), Anne Hathaway (Rainha Branca) - para citar apenas alguns - e tem a seguinte sinopse:
Alice, agora aos 19 anos, está em uma festa da nobreza em Oxford, onde vive, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento. Desesperada, ela foge seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou quando tinha seis anos mas não se lembrava mais. Lá ela é novamente saudada pelo Coelho Branco, o Ratão, o Dodo, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum e várias flores falantes. Eles discutem sobre a sua identidade como "a verdadeira Alice"..
O Trailer da Revisitação de Tim Burton:
Sobre este último foi feito o album Almost Alice com cantores e bandadas convidados pelo Tim Burton e inspirados pelos Alice in Wonderland (coloco os vídeos do que têm videoclip oficial):
1. Avril Lavigne - Alice
2. The All-American Rejects - The Poison
3. Owl City - The Technicolor Phase
4. Shinedown - Her Name is Alice
5. All Time Low - Paiting Flowers
6. Metro Station - Where's My Angel
7. Tokio Hotel e Kerli - Strange
8. 3OH!3 featuring Neon Hitch - Follow Me Down
9. Robert Smith - Very Good Advice
10. Mark Hoppus with Pete Wentz - In Transit
11. Plain White T's - Welcome to Mystery
12. Kerli - Tea Party
13. Franz Ferdinand - The Lobster Quadrille
14. Motion City Soundtrack - Always Running Out of Time
15. Wolfmother - Fell Down a Hole
16. Grace Potter and the Nocturnals - hite Rabbit
17. They Might Be Giants - You Are Old, Father William
18. Danny Elfman - Alice's Theme
19. Never Shout Never - Sea What We Seas
20. Family Force 5 - Topsy Turvy
21. Valora - Extreme
talvez o sejam e talvez seja isso o que eu mais detesto nos meus olhos: não ter controlo sobre eles. E por isso dou comigo a recorrer a algo que mos escondam ou simplesmente a desviá-los de outros olhos. Tenho problemas em ser observada e quando surge algo que me deixa desconfortável olho para longe daquela pessoa, tal como uma criança inocentemente pensa que ao tapar os olhos fica totalmente escondida. Sei que os meus olhos são uma janela aberta para que me julguem e nunca estive nem nunca vou estar preparada para isso.
Os meus olhos são azuis extremamente claros e, por isso, extremamente sensíveis ao sol. Toda a gente mos gaba. Penso que não é por mal, deve ser um elogio. As pessoas olham-me para os olhos e dizem que são lindos e pessoas estranhas pedem para tirar uma foto a uns olhos que têm um azul tão diferentente e que nunca tinha visto - dizem. A mim, sabe-me como se as pessoas me estivessem a despir sem o meu consentimento e ainda por cima a tirarem-me uma fotografia, nua.
Quando me apetece enfiar a cabeça na areia - qual avestruz - desvio o olhar com a esperança de não ser vista. Quando não me apetece falar com ninguém fexo os olhos e fico a desejar que não reparem na minha existência. Tapo os olhos com as pálpebras para não ser demasiado estranho tapá-los com as mãos. Quando choro tapo os olhos com as costas.
Mas no meio de tantos métodos de invisibilidade psicológica, há um que me deixa particularmente mais calma: ósculos de sol. Uso-os de Verão e de Inverno para suportar a dor da luz nos olhos. Só não os uso de noite ou quando chove porque parece mal. Uso-os, mas também abuso deles porque são o meu mais recorrente esconderijo no dia-a-dia.
Com eles, posso "ver sem ser vista". Não, posso ter a sensação de "ver sem ser vista". Posso até fazer de conta que não vi aquelas pessoas com quem absolutamente não me apetece fazer conversa de circunstância. Com eles vejo os outros, eles veêm-me a mim e eu vejo os olhos dos outros. A grande vantagem é que os outros não veêm os meus olhos e, logo, não me violam a "alma" de que fala o velho ditado.
Por isso, por mais que me desagrade olhar-me ao espelho com este acessório, o facto de ele ser muito mais do que um acessório faz com que esteja constantemente presente no meu dia-a-dia. Resta-me o problema dos interiores, das casas, dos prédios, da universidade, das salas de aula, dos restaurantes e cantinas, dos shoppings, dos supermercados... é aqui que a luz artificial me obriga ao olhar dos outros e que me queima os olhos mais do que a luz do sol porque, aqui, nãoposso proteger-me. é aqui que, enquanto me olham olhos nos olhos e dizem "eu amo os teus olhos", eu olho para longe e penso "eu odeio os meus olhos".
Actores:Audrey Tautou, Benoît Poelvoorde, Alessandro Nivola, Marie Gillain.
Duração: 105 min
Gênero: Drama
País: França
Sinopse: Uma garotinha é deixada junto com a irmã num orfanato no coração da França, e todos os domingos ela espera, em vão, que o pai volte para buscá-la… Uma artista de cabaré com voz fraca que canta para uma plateia de soldados bêbados… Uma humilde costureira que conserta bainhas nos fundos de uma alfaiataria de cidade pequena… Uma cortesã jovem e magricela, a quem seu protetor, Etienne Balsan, oferece um refúgio seguro, em meio a um ambiente de decadência… Uma mulher apaixonada que sabe que nunca será a esposa de ninguém, recusando-se a casar até mesmo com Boy Capel, o homem que retribuiu seu amor… Uma rebelde que considera as convenções de sua época opressoras e prefere usar as roupas dos homens com quem se envolve… Esta é a história de Gabrielle “Coco” Chanel, que começa a vida como uma órfã teimosa, e, ao longo de uma jornada extraordinária, se torna a lendária estilista de alta-costura que personificou a mulher moderna e se tornou um símbolo atemporal de sucesso, liberdade e estilo.
Porque é que me marcou?
Bom, quando descobri este filme, estava a fazer um trabalho intensivo sobre o Feminismo. Esse trabalho mudou, sem qualquer tipo de dúvida, a minha visão do mundo e da sociedade. A ele associo sempre duas coisas fabulosas: 1) A grande obra (ensaio) de Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo; 2) o filme Coco Avant Chanel. Aliando o carácter descritivo do filme à investigação histórica sobre o feminismo que o trabalho me exigiu, consegui perceber a mulher revolucionária e lutadora, profundamente feminista, que é escondida hoje atrás da marca Chanel e do seu estilo formal e frio - roupa de velha, digo. Fazer o exercício de pegar nessas criações de Coco, recuar quase um século e larga-las lá é perceber que isso resulta numa profunda descontextualização. Descontextualização que se transformou em evolução. O que seria de nós sem que Coco Chanel tivesse adaptado inumeras peças do vestuário masculino, entre elas as calças, ao vestuário feminino? Adaptou-as e, com isso, legitimou-as. Importante, ainda, perceber que não estamos a falar pura e simplesmente de uma mudança na aparência, mas sim numa mudança social. Coco colocou o conforto (se não como prioridade) ao nível da beleza. Deu à mulher a possibilidade de conciliar a beleza e o conforto, a liberdade de movimentos. E isso permitiu à mulher evoluir, especificamente, no campo do trabalho.
- se estes links não funcionarem bem e ainda assim estiverem interessados em ver o filme decentemente na versão original legendado em português, eu tenho-o, só não sei como o colocar num host. mas é só explicarem-me e disponibilizo-
Nota: é mais um filme que conta com a lindíssima Audrey Tautou! *.* Não sei se já viram a publicidade ao (perfume) Coco Chanel Nº5. É também a Audrey que nela figura.
desta feita, por vontade própria. Andava a precisar de manter um bocado a distância disto ou, sei, iria passar aqui as férias viciada num ecrã e num teclado de que nem sequer preciso para viver.
e hoje vou de novo ao Cinema, ok, não costumo ir tantas vezes seguidas, mas só hoje é que vou ver um filme que realmente me apetece ver." Pina":
- tenho lido - A Força dos Afectos de Torey Hayden. Bom!
... mas isto de andar na universidade tem-me tirado o tempo, a inspiração e paciência para vir passando por cá a escrever. Não me julguem marrona, sou mais do tipo deixa andar até ver que já não vou a tempo e então dedico-me aos cafés e a noites sem dormir e a faltar a umas aulas. nada de novo desde o secundário (só os cafés, vá... ). Ando na vida do vício universitário. Estou a escrever isto uma semana depois de ter entregue e apresentado 3 trabalhos, uma semana antes de fazer 3 frequências e duas semanas antes de fazer duas frequências e entregar dois trabalhos. Por isso, vá, preciso de um desconto muito grande. e não se preocupem, eu depois faço reabilitação!
outros pensamentos:
ando a estudar e a esforçar-me tanto para quê, mesmo? ... pois...
sinto-me um espermatozoide a tentar alcançar um óvulo infértil...
Sinopse: Ásia tem 18 anos, está no hospital em coma e sua mãe e seu namorado, Natanael, tomam conta dela. Pouco a pouco vemos os eventos que levaram Ásia para o hospital, seu relacionamento com sua mãe, seus amigos e seu namorado, e, acima de tudo, com Eloise, uma misteriosa garota que lhes apresenta um mundo de novas sensações e com quem irá relembrar um episódio doloroso de seu passado, do qual sua mãe não está disposta que venha à luz. Finalmente, Ásia vai lutar para ser feliz em seu relacionamento com Eloise.
Porque é que me marcou?
É um filme sobre um amor lésbico, os problemas de aceitação da orientação, a influência da sociedade conservadora e as repercussões negativas que isso traz para quem tenta encontrar-se. A banda sonora é muito bonita e toda a história é simples e poderia ser resumida em algumas linhas. A primazia deste filme está na forma como essa história é contada, nas analepses e prolepses fabulosas. Um filme realmente inspirador e que mostra sem preconceitos a veracidade de um amor entre duas mulheres. É acima de tudo, uma óptima reflexão para os pais preconceituosos pensarem se é mais importante o filho ser heterossexual ou estar vivo e não se matar por causa desse preconceito.
É um filme sobre uma família lésbica. Isto é, duas lésbicas vivem juntas e, recorrendo a um banco de esperma, cada uma teve um filho. no filme, essa família é-nos retratada como uma família "normal". DEMASIADO igual às comuns. Em todo o filme, na narrativa, não há qualquer tipo de discriminação homofóbica. Não há mães nem filhos gozados e escarneados na escola. E com tanta "normalidade", parece que há sempre algo de muito anormal em todo o filme. A negação dos males da sociedade e das pessoas homofóbicas não é uma boa forma de fazer ver aos espectadores que aquela família É normal. Depois, o próprio filme é tendencialmente machista e aponta sempre para uma insatisfação sexual das lésbicas (entre outras particularidades), ou seja, o próprio filme acaba por ser homofóbico.
Começa com as duas lésbicas a recorrerem a um filme pornográfico gay - com dois homens - para supostamente terem mais prazer em conjunto, facto que é mais tarde descoberto pelo filho e que questiona o porquê de não verem filmes com mulheres em vez de com homens. Face a isso, uma delas explica que a sexualidade da mulher é "interior" e que por vezes é excitante para as mulheres verem a sexualidade "exteriorizada". e para quem tinha dúvidas do que se queria dizer, explica: "like with a penis". Apresentam, portanto, sem rodeios, a ideia de que uma mulher não consegue satisfazer-se com outra mulher (coisa que também já tinha sido sugerida aqui e ali com a presença de alguns "brinquedos"). Esta explicação, serve depois como desculpa - para o espectador - quando a mesma mulher trai a sua companheira com um homem. E é ver o seu rosto iluminado dizer um sonante "Helloo!!" perante o pénis. A orientação sexual da lésbica e o amor que sente pela sua companheira nunca são postos em causa, por isso, cabe a nós compreender que ela só continua a fazer sexo com ele por puro prazer - prazer que supostamente não conseguia ter com outra mulher porque a mulher não tem pénis, e que é tão irresistível que nem a culpa a faz deixar de trair a mulher com o homem. E por isso continuam os sucessivos orgasmos provocados por um corpo masculino (quando na realidade os orgasmos das mulheres nas relações heterossexuais são muito poucos). Mas por parte da outra lésbica parece haver mais compreensão do que mágoa e poucos dias depois de descobrir a traição, já a perdoou.
Outro ponto interessante é o facto de, no fundo, esta família ser mais patriarcal do que à partida poderia parecer. Há visivelmente uma que ocupa o lugar do homem - dominante - e outra que ocupa o lugar da mulher - dominada. A primeira, o homem da casa, é médica, logo, anda sempre muito ocupada com o trabalho, usa cabelo muito curto, roupas masculinas e tem pouca sensibilidade. Esta é ciumenta e possessiva e supostamente quis que a companheira deixasse o antigo emprego porque gosta de a ter em casa. é, por isso, o sustento da casa e da família. A segunda, a "esposa", é sensível, mais meiga com os filhos, é decoradora de exteriores, cabelo comprido roupa mais feminina (excepto no trabalho) e sofre de falta de reconhecimento e de atenção da companheira. Adivinhem quem traíu! claro, a segunda. A primeira não hesita depois em defender o que é dela perante a ameaça de outro macho: "this is my house. this is my family".
Há ainda uma intenção clara em mostrar que ambos os filhos (o filho e a filha) são heterossexuais, mostrando como ele facilmente se afasta do amigo quando percebe que ele não é verdadeiramente amigo dele e também a forma como ela beija um rapaz por quem se interessa.
e, assim, um filme que podia estar incluído no "great year for lesbians" (de que falou Anne Hathaway) e que até podia ser educativo para os homofóbicos, transforma-se num filme que só contribui para a continuação de preconceitos e tabus parvos de uma sociedade que nunca mais cresce.
Após muito tempo de deliberação a pensar em qual o filme ideal para estrear os "Filmes que me marcaram", decidi optar pelo Corcunda de Notre Dame. Porquê? porque sim.
Título original: The Huntchback of Notre Dame
Lançamento: 1996 (EUA)
Direção: Gary Trousdale, Kirk Wise
Actores EUA: Tom Hulce ( Quasimodo ), Demi Moore ( Esmeralda ), Tony Jay ( Frollo ), Kevin Kline ( Febo ).
Actores da versão portuguesa: Rómulo Fragoso e Tó Cruz nas canções ( Quasimodo ), Isabel Ribas e Dora Fidalgo nas canções ( Esmeralda ), Mário Pereira e José de Oliveira Lopes nas canções ( Frollo ), Paulo B ( Febo ).
Duração: 91 min
Gênero: Animação
Sinopse: Em Paris, durante a Idade Média, vive Quasímodo (Tom Hulce), um corcunda que mora enclausurado desde a infância nos porões da catedral de Notre Dame. Até que, um dia, Quasímodo decide sair da escuridão em que vive e conhece Esmeralda (Demi Moore), uma bela cigana por quem se apaixona. Mas para conseguir concretizar seu amor Quasímodo terá antes que enfrentar o poderoso Claude Frollo (Tony Jay) e seu fiel ajudante Febo (Kevin Kline).
Porque é que me marcou?
Primeiro porque foi o primeiro filme da Disney que vi sem ser dobrado em português do Brasil e continua a ser, na minha perspectiva, uma das melhores dobragens em portugues de portugal. Depois, é uma grande reflexão sobre quem excluimos e sobre a nossa responsabilidade indvidual ao fazê-lo. A fazer-nos interrogar "Quem é o mostro e o homem, quem é?". banda sonora fabulosa e história diferente (leia-se, sem ser sobre príncipes e princesas). Mas marcou-me sobretudo pelo facto de na altura eu não ter ficado feliz com o final feliz. Tanto que, com os bonecos provavelmente saídos no McDonalds, me punha a imaginar o Quasimodo a dar porrada no Febo para poder ficar com a Esmeralda. É que mesmo sendo um filme diferente, o "feio" não fica com a miuda.
bom, hoje cheguei à conclusão mais importante da minha vida: Devia haver uma vacina de inteligência que fosse administrada logo à nascença. Já imaginaram? todas as pessoas serem inteligentes, não haver cromos, não haver cegueira (daquela cegueira que Saramago fala), não haver trolhas tal como os conhecemos, não haver estúpidos...
Enfim, não iria encontrar gente a dizer que as culturas islãmicas não são cultura nem são nada (quando, como é óbvio, é mais do que sabido que se trata de uma questão cultural). Não ia encontrar gente a dizer que é uma aberração as vacas, por serem sagradas, andarem a passear pelas ruas da Índia porque há pessoas a passar fome (quando em Portugal também há pessoas a passar fome e os cães e os gatos lá andam pelas ruas. Como é obvio, também é uma questão cultural). Não ia encontrar gente materialista. Não ia viver no mesmo mundo que os patrões egoístas que conseguem lucros loucos e pagam menos do que o ordenado mínimo aos seus trabalhadores. Não ia viver num mundo onde estou tirar um curso para vir a fazer um estágio não remunerado a servir cafés para depois ir para o desemprego com um canudo para esconder no currículo. Não ia viver no mundo dos "espertos" que vivem à conta do rendimento mínimo por não querem trabalhar e porque não querem aceitar qualquer emprego e depois reclamam com os emigrantes que aceitam os trabalhos que eles não querem e dizem que os estrangeiros lhes roubam o emprego. Não ia viver num mundo onde ser político é, quase sempre, sinónimo de corrupto. Era tão bom uma vacina de inteligência.
(Hoje passam dez anos desde a queda da Ponte de Entre os Rios e o Estado não apoiou suficientemente estas localidades, sendo, actualmente, uma das zonas com maior índice de desemprego e, portanto, torna-se cada vez mais isolada, verificando-se uma grande deficiência em acessos e vias de comunicação)
(Jornalista) - Então, espera um futuro melhor para Castelo de Paiva?
(Entrevistada) - Não! Eu espero pior.
(hoje, Sic Notícias)
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
« Não acredito que serias daquelas pessoas que, quando a censura permanece, se deixam reger por ela, simplesmente pelo medo de serem apanhadas. Mais valia ser como Julia (de 1984) que, sem lutar abertamente pela liberdade do país e do povo, lutava sozinha e diariamente pela sua própria liberdade. Só assim conseguiu ser livre num governo ditatorial, nem que apenas por alguns momentos. Só assim se consegue ser feliz quando tudo nos sugere tristeza. Não estou disposta a abdicar de pequenos momentos de felicidade e de liberdade clandestinos numa sociedade de censura, mesmo que esta censura dure para sempre. Não estou disposta a ser infeliz por ter medo de ser feliz e, sobretudo, não aceitarei que me digas que não vale a pena, apresentando hipóteses sombrias como fatalidades inevitáveis. Ser feliz é uma opção que se elege através de várias e pequenas escolhas. »
Lembro-me de quando era miúda e só queria crescer. Queria conduzir, queria votar, queria viajar sem os pais, queria fazer simplesmente o que me apetecesse. Tudo o que os adultos faziam era sinónimo de independência. Agora conduzo, voto, viajo sem os pais, tenho alguma independência, mas, não, não faço tudo aquilo que quero. Agora só penso que tudo isto é sinónimo de velhice, este texto também é sinónimo de velhice. E velhice é sinónimo de degradação, da perda de inocência, a mesma inocência que eu tanto ansiava perder em criança. Agora, só quero voltar atrás… Mas o que faria, afinal, se pudesse voltar atrás? Imagino que fosse sentir o que sentira: falta da independência. Porque é que parece impossível combinar a inocência com a independência…?
"Quero sair do meu corpo! Estou farta de mim. Sempre tão igual a mim mesma. Farto-me mais a mim mesma, comigo própria, do que com todas as outras pessoas juntas.
Não deviamos estar limitados a um só corpo e a uma só identidade. Sou tão pouco... Quero mais, quero mais de mim.
Quero ser o que goza, quero ser o que se ri, quero ser o indiferente e o humilhado. Quero ser aluna, professora e funcinária. Quero ser soldado dos dois lados duma guerra. Quero ser um drogado, um ladrão e um sem-abrigo. Quero ser pobre e quero ser rica. Quero ser louca e psiquiatra, juiz e julgada. Quero ser julgada e absolvida por um crime que não cometi, cometendo-o.
Quero saber... Quero saber o que é ser cada um dos homens. Quero viver o seu passado e os seus sonhos para o futuro.
Quero ser todos os homens, sendo eu mesma, porque, afinal, não o saberia ser se não sendo eu própria.