segunda-feira, 23 de março de 2015

Ver-te.

Ver-te desarma-me um sorriso de olhar curioso, ainda incompreendido. Todos os mistérios do teu universo por desvendar, cativante platonia de te ver a alma ao longe. E tocar-te com palavras como que dizendo para me olhares nos olhos sem relógios no pulso....

diz-me!

Será que o meu olhar longínquo te diz as coisas que não posso falar?

Será que também pensas em mim quando chegas a casa?

E quando voltas a aparecer-me também dás voltas à cabeça? -- acaso, coincidência, destino ou universo... Acaso, coincidência... destino, universo... Acaso... coincidência... destino... universo...

Ai! O que ouve o teu universo do meu?
Diz-me!

Será que também sentes a tensão a acumular-se quando os nossos organismos se vão aproximando? A matéria, a matéria...

E o que será da matéria das nossas almas quando eu te der mais do que um sorriso?

Um sorriso, só para receber o teu de volta.
Juro que, basta!, mais um sorriso teu te fará ouvir a minha voz...

A visão agrada-me a alma... E o que dirão os sentidos restantes quando te puderem ver de olhos fechados?

Porque não me respondes? Diz-me..

domingo, 8 de março de 2015

Não perdemos nada

photo by Herbert List

[...]
Eu sei e tu sabes que eu o sinto.
Não há nada de errado em nós -
O Universo conspirou em favor do propósito.
Talvez o sintas também, se o procurares...
Mas não é para já!
Os mistérios dos tempos individuais
por vezes tardam a revelar-se, mas,
no fim, está tudo certo.

Aliás, não há fim nem começo.
No fundo, nada se finaliza;
e o princípio já se tinha iniciado quando se viu.
Pois, que também os mistérios da percepção humana são limitados...
e ilimitados no mesmo tempo,
que é, afinal, todos os tempos e tempo nenhum.



Não há erros quando se responde instintivamente aos estímulos do Universo.
E tu e eu sentimos, no corpo e na alma.
O Universo aplaudiu-nos para depois nos sorrir e abraçar.
Deixou-nos os ensinamentos e as mensagens para o momento presente,
que é o que nos deve ocupar.

Não perdemos nada.
Os nossos caminhos estão certos.

sexta-feira, 6 de março de 2015

cinco vezes vezes cinco vezes

A brisa suave do sol a fazer renascer o cheiro doce da primavera entre a visão-luz da lua cheia de magnetismo; e os pássaros lá longe a mimarem as nascentes de água melódica trazem já o gosto das inúmeras viagens da alma nos tempos - a terra encanta-se cinco vezes vezes cinco vezes. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

as estações e os Prenúncios

Quantas vezes te deixei nas estações, para, dali, seguirmos caminhos opostos...

o metro... o comboio... o autocarro...

A despedida...
A tua boca pediu-me um último cigarro antes da viagem.
E a tua cara a sentir que já não me vias da mesma forma.
E eu a sentir que nunca mais te veria a mesma...

Agora... já não me olhas nos olhos...

Agora? Enrolas-me um cigarro?
Vou entrar no avião. Até depois...

a tua angústia

Morro de saudades de te sentir viva, em carne e osso, que vive e respira numa casa algures numa aldeia, que tem um pequeno quintal e vive o mais que pode da terra, como quem respira instintivamente, que também o ar vem da terra. E tu, como sempre disseste, dela vieste e a ela voltaste.

photo by Miyu Decay
E, ainda assim, depois de ver o teu corpo na terra, sinto-te no ar. Não sei se estás no ar do passado ou do presente, mas estás, com toda a certeza, no ar e o ar é atemporal. Pouco importa o resto.

Há sempre algo que me faz voltar a ti. Há sempre algo de muito vago e longínquo em reflexões duras de sentir. Sou céptica até em relação ao cepticismo. Sou céptica como tu, que sentias mais do que o que sabias.

Preciso de te sentir, preciso de te sentir. Estarei eu a consumir a tua angústia? Preciso de não me fixar.
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O que se passa comigo, que não faço nada do tempo que passa?



24 de Março de 2014