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« Não acredito que serias daquelas pessoas que, quando a censura permanece, se deixam reger por ela, simplesmente pelo medo de serem apanhadas. Mais valia ser como Julia (de 1984) que, sem lutar abertamente pela liberdade do país e do povo, lutava sozinha e diariamente pela sua própria liberdade. Só assim conseguiu ser livre num governo ditatorial, nem que apenas por alguns momentos. Só assim se consegue ser feliz quando tudo nos sugere tristeza. Não estou disposta a abdicar de pequenos momentos de felicidade e de liberdade clandestinos numa sociedade de censura, mesmo que esta censura dure para sempre. Não estou disposta a ser infeliz por ter medo de ser feliz e, sobretudo, não aceitarei que me digas que não vale a pena, apresentando hipóteses sombrias como fatalidades inevitáveis. Ser feliz é uma opção que se elege através de várias e pequenas escolhas. »

Escrito por mim há, sensivelmente, um ano e meio.

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