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A mostrar mensagens com a etiqueta anormalidades

Sobre a pluralidade de self-harming

Nunca vi grande diferença entre cortar os pulsos (ou outra parte do corpo), arrancar cabelos, ou qualquer outra forma de self-harming, e fumar, beber, drogar-se. Exactamente da mesma forma que suicídio por overdose de drogas de qualquer tipo não é diferente de suicídio com pistola, ou enforcamento, ou atirar-se para dentro de um poço ou para a frente de um comboio.  Ás vezes dou por mim a pensar quanto pesa a minha promeça e quanto pesam alguns minutos inofensivos de alívio. Não é que me sinta culpada. A minha intenção não é magoar-me para me punir. A minha intenção não é sequer sentir alguma coisa. É precisamente deixar de sentir. Esquecer. Fazer pausa. Apenas por uns minutos. Fazer pausa.  Sorrir doi, acreditem, doi mais do que self-harming . Mas promessa é promessa. LOV ' YOU

Todas as noites...

O meu mundo inteiro, cheio de resquícios de nada e de pensamentos insistentes no mais intermitente estado de alma, despedaçado, pendurado meio vivo meio morto num mundo cancerígeno até às entranhas. As vísceras sociais alimentam-se desalmadamente dessas carcaças vazias de racionalidade e eu observo. Às vezes luto, às vezes desvio o olhar, ignoro mesmo sabendo que existem.  A noite, o escuro, os monstros, eles voltam todos para mim ao escurecer. Olham-me, respiram-me, beijam-me contra a minha vontade, despem-me, violam-me e degulam-me, esventram-me, deixam-me morrer lentamente, levando um pedaço meu como recordação. Todas as noites. E todas as noites finjo, actuo, misturo-me na vida dos outros, na vida de personagens fictícias que me façam esquecer a minha essência.  Longe de mim, Longe de mim, penso, quero-me longe de mim. Mas há sempre um fim, e no fim não há alternativa se não voltar a mim. Voltar a mim para repetir eternamente esse devaste maldito, cíclica agonia sem fi...

intrinsecamente

Às vezes gostava de ter dono, de ter casa, de me sentir em casa em minha casa, de estar bem onde estou, de não andar sempre a olhar para o lado à procura de algo que não sei exactamente o que é, mas que nunca é o que vejo. Não sei se passa, esta insatisfação, este sentimento de despertença. Nem sei onde me leva. Geralmente não me leva a lado nenhum. Não me move, não me transporta. É sobretudo inútil e é-me soberbamente intrínseco. Intrinsecamente deprimente. Estou seca de me inspirar. Estou seca de respirar. Volto ao mesmo sítio do labirinto de sempre. Eu sei onde está o caminho certo, onde está a saída. Eu sei, mas não o vejo. Não quero ver. Quem me garante que o que vem depois não é pior? Eu não sei. Vocês sabem? Quem me garante? LOV ' YOU

que as coisas não expludam agora

Estou farta de viver no medo. Naquele medo que nos gela as reacções, a naturalidade, e espontaneidade. Entro em epilepsia sanguinea de cada vez que me dou conta da quantidade de olhos que me julgam e que estão à espreita, a aguardar pacientemente que eu pise o risco, que eu erre, que eu siga os meus instintos e a minha vontade. Às vezes congelo com determinadas perguntas, com determinadas conversas porque não sei o que é suposto responder, ou dizer, como é suposto reagir. E sem reagir já estou a reagir de alguma forma. E sem saber já me estão a julgar por isso. Estou cansada de viver de relógio atado ao pulso, quais algemas a cronometrar as minhas reacções. Estou genuinamente farta de sentir que vivo no limite, que ando por terrenos armadilhados, minados, e que basta um passo irreflectido, um desequilibrio, um empurrão de alguém ou uma simples ventania. Dou esse passo, ou caio e tudo explode. E as coisas não podem explodir. Não agora. Eu não quero que as coisas expludam agora. ...

Razão

Cresci ali, naquela aldeia onde atravessava a rua e entrava na escola primaria. Era a minha casa, mas não era, so porque não dormia ali. À hora do jantar voltava para casa do meu pai e da minha mae para logo a seguir dormir. Durante o dia, na casa onde cresci, tinha duas maes. A minha bizavo e a minha avo. Elas foram e serao sempre a minha infância. Se dela sempre senti saudades porque sempre temi que ma roubassem da memoria, agora ela foge-me sem que eu possa exercer qualquer comando. A minha bizavo partiu durante o sono ha pouco mais de um ano, a dois anos dos 100. Ca entre nos, acredito que ela está a viver um magnifico sonho, daqueles que ja não podia viver (nem se vivem) acordada. A minha avo tem cancro. Tem cancro pela terceira vez. Tem cancro. Da primeira vez, ainda eu não tinha nascido, deram-lhe 3 meses de vida. Da segunda, ficou sem metade do estomago. E agora, eu ando á procura de um tecto ou de um ...

era só pa partilhar o que eu estava a pensar no duche hoje de manhã

~ Sou ateia na religião e  agnóstica na política~ LOV ' YOU

Diz que sim, que é uma doença grave. O bolo de chocolate não.

volta e meia leio algures a ideia de que as pessoas mais inteligentes são mais infelizes. Criam-se gráficos e coisas e merdas em tom humorístico que sugerem que o melhor mesmo é ser burro e feliz. Confesso que por vezes queria ser mesmo burra, sem preocupações sociais, políticas, ecológicas, éticas, e um monte de fififis que me enervam diariamente. Não sei... não sei o que é melhor. às vezes penso que os pais não deviam ficar felizes quando por alguma eventualidade é diagnosticado à criança um grau de inteligência ligeiramente ou muito superior. É UMA DOENÇA GRAVE. Essa notícia diz em letras pequeninas em baixo "inteligência pode causar efeitos secundários graves (verificados em 100% dos casos registados) como disfunção social, exclusão e auto-exclusão, humilhação pública, incompreensão generalizada, incapacidade para socializar, descrença nos outros, inadaptação existencial, alergia fatal a pessoas, conversas monologais, suicídio incompreendido, entre outros". Mas desde quan...

eu e a Florbela Espanca - especificidades de um estado de espírito sem época

Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas do raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser uma espécie de D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dom de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa! Toda, enfim, esta frase a propósito de Delteil: «Très simples avec enthousiasme à sa droite et son désespoir à sa gauche.». in Correspondência , 1930

Fui eu que me despistei...

Fui eu que me despistei, larguei tudo e segui pelo caminho ideal. Achei que vivia bem assim, com a segurança fabulosa do presente sem nunca olhar para trás. Mas a estupidez e as raivas do passado visitaram-me sempre. Deixei aquelas pessoas que nunca foram minhas Amigas e que nunca se esforçaram para me compreender, mas que também nunca me deram motivos suficientemente fortes para eu as abandonar umas com as outras.  Fui eu que me despistei. Fui eu que vos abandonei, fui eu a última a recusar a companhia de pessoas que me faziam quase sempre sentir mal. Fui eu que, por ser demasiado diferente e não ter coragem para vos gritar "EU SOU *isto*" deixei que pensassem que fui e sou eu a estúpida que, de um momento para o outro se afasta de toda a gente sem motivos aparentes, a que substitui toda a gente por outra gente e o faz sem remorso.  O motivo sempre existiu e até aparentava, vocês é que não quiseram vê-lo. Acomodaram-se ao facto de eu ter supostamente mudado e transfor...

estupidezes alheias

Quando era miúda, queria ser fixe , queria que dissessem que era fixe. Achava que isso era um qualquer selo de autenticidade de aceitação social. e pior, achava que precisava mesmo desse selo. Tentei, obviamente, conseguir esse selo, praticando muitas estupidezes (que não há outra forma de o conseguir). Mas eu não conseguia disfarçar que era diferente, que não era fixe, pelos meus gostos e pelas minhas preferências, por atitudes que tomava e que deixavam qualquer fixe a pensar "que croma". Mantive longas amizades com pessoas com as quais não me identificava, que não me compreendiam, que gozavam com as minhas opções. O facto de eu ouvir música pesada, para alguns, era uma anedota, para outros era-o o facto de eu ouvir também música calma. Anedota também foi o facto de eu querer ser vegetariana ou simplesmente o amor. o amor... Eles não sabiam, mas estavam a tornar-me mais forte, a dar-me mais motivação para continuar a gostar do que gosto e não querer saber do qu...

As minhas noites e os meus Monstros – Claustrofobia Cáustica Encurralada

A noite assusta-me, mais do que qualquer outra coisa. Eu não tenho monstros debaixo da cama ou no armário, as sombras esquisitas das árvores na parede não me incomodam e o paranormal não é uma ameaça. O que me assusta é outra coisa, outra coisa invisível, mas existe. É que à noite os meus Monstros libertam-se e comem-me viva. Esgotam-me os sorrisos e criam rios pela minha cara que continuam pelo meu pescoço, até ao meu peito. É assim que me secam os olhos. O pior é que os meus Monstros não são imaginação ou miragem. Atormentam-me, torturam-me e por vezes tentam matar-me. A noite assusta-me mais do que qualquer outra coisa e eu tenho medo. Os meus Monstros trazem o pior de mim e vêm acompanhados de todos os meus medos. Outras vezes são persistentes e resistentes ao tempo. Arrastam-se pelas horas e deixam de ser criaturas da noite para passarem a escurecer o dia. E o meu sono arrasta-se acordado porque não me deixam fexar os olhos. Faz parte da tortura. Eu? Eu olho em redor. A luz fi...

Dizem que os olhos são o espelho da alma...

talvez o sejam e talvez seja isso o que eu mais detesto nos meus olhos: não ter controlo sobre eles. E por isso dou comigo a recorrer a algo que mos escondam ou simplesmente a desviá-los de outros olhos. Tenho problemas em ser observada e quando surge algo que me deixa desconfortável olho para longe daquela pessoa, tal como uma criança inocentemente pensa que ao tapar os olhos fica totalmente escondida. Sei que os meus olhos são uma janela aberta para que me julguem e nunca estive nem nunca vou estar preparada para isso. Os meus olhos são azuis extremamente claros e, por isso, extremamente sensíveis ao sol. Toda a gente mos gaba. Penso que não é por mal, deve ser um elogio. As pessoas olham-me para os olhos e dizem que são lindos e pessoas estranhas pedem para tirar uma foto a uns olhos que têm um azul tão  diferentente e que nunca tinha visto - dizem. A mim, sabe-me como se as pessoas me estivessem a despir sem o meu consentimento e ainda por cima a tirarem-me uma foto...

ok, não pensem que desapareci...

... mas isto de andar na universidade tem-me tirado o tempo, a inspiração e paciência para vir passando por cá a escrever. Não me julguem marrona, sou mais do tipo deixa andar até ver que já não vou a tempo e então dedico-me aos cafés e a noites sem dormir e a faltar a umas aulas. nada de novo desde o secundário (só os cafés, vá... ).  Ando  na vida do vício universitário.  Estou a escrever isto uma semana depois de ter entregue e apresentado 3 trabalhos, uma semana antes de fazer 3 frequências e duas semanas antes de fazer duas frequências e entregar dois trabalhos. Por isso, vá, preciso de um desconto muito grande. e não se preocupem, eu depois faço reabilitação! outros pensamentos: ando a estudar e a esforçar-me tanto para quê, mesmo? ... pois... sinto-me um espermatozoide a tentar alcançar um óvulo infértil...

Vacinas de inteligência

bom, hoje cheguei à conclusão mais importante da minha vida: Devia haver uma vacina de inteligência que fosse administrada logo à nascença. Já imaginaram? todas as pessoas serem inteligentes, não haver cromos, não haver cegueira (daquela cegueira que Saramago fala), não haver trolhas tal como os conhecemos, não haver estúpidos...  Enfim, não iria encontrar gente a dizer que as culturas islãmicas não são cultura nem são nada (quando, como é óbvio, é mais do que sabido que se trata de uma questão cultural). Não ia encontrar gente a dizer que é uma aberração as vacas, por serem sagradas, andarem a passear pelas ruas da Índia porque há pessoas a passar fome (quando em Portugal também há pessoas a passar fome e os cães e os gatos lá andam pelas ruas. Como é obvio, também é uma questão cultural).  Não ia encontrar gente materialista. Não ia viver no mesmo mundo que os patrões egoístas que conseguem lucros loucos e pagam menos do que o ordenado mínimo aos seus tr...
« Não acredito que serias daquelas pessoas que, quando a censura permanece, se deixam reger por ela, simplesmente pelo medo de serem apanhadas. Mais valia ser como Julia (de 1984 ) que, sem lutar abertamente pela liberdade do país e do povo, lutava sozinha e diariamente pela sua própria liberdade. Só assim conseguiu ser livre num governo ditatorial, nem que apenas por alguns momentos. Só assim se consegue ser feliz quando tudo nos sugere tristeza. Não estou disposta a abdicar de pequenos momentos de felicidade e de liberdade clandestinos numa sociedade de censura, mesmo que esta censura dure para sempre. Não estou disposta a ser infeliz por ter medo de ser feliz e, sobretudo, não aceitarei que me digas que não vale a pena, apresentando hipóteses sombrias como fatalidades inevitáveis. Ser feliz é uma opção que se elege através de várias e pequenas escolhas. » Escrito por mim há, sensivelmente, um ano e meio.

A insatisfação persegue-me...

Lembro-me de quando era miúda e só queria crescer. Queria conduzir, queria votar, queria viajar sem os pais, queria fazer simplesmente o que me apetecesse. Tudo o que os adultos faziam era sinónimo de independência. Agora conduzo, voto, viajo sem os pais, tenho alguma independência, mas, não, não faço tudo aquilo que quero. Agora só penso que tudo isto é sinónimo de velhice, este texto também é sinónimo de velhice. E velhice é sinónimo de degradação, da perda de inocência, a mesma inocência que eu tanto ansiava perder em criança. Agora, só quero voltar atrás… Mas o que faria, afinal, se pudesse voltar atrás? Imagino que fosse sentir o que sentira: falta da independência. Porque é que parece impossível combinar a inocência com a independência…?

Uma parte de mim

"Quero sair do meu corpo! Estou farta de mim. Sempre tão igual a mim mesma. Farto-me mais a mim mesma, comigo própria, do que com todas as outras pessoas juntas. Não deviamos estar limitados a um só corpo e a uma só identidade. Sou tão pouco... Quero mais, quero mais de mim. Quero ser o que goza, quero ser o que se ri, quero ser o indiferente e o humilhado. Quero ser aluna, professora e funcinária. Quero ser soldado dos dois lados duma guerra. Quero ser um drogado, um ladrão e um sem-abrigo. Quero ser pobre e quero ser rica. Quero ser louca e psiquiatra, juiz e julgada. Quero ser julgada e absolvida por um crime que não cometi, cometendo-o. Quero saber... Quero saber o que é ser cada um dos homens. Quero viver o seu passado e os seus sonhos para o futuro. Quero ser todos os homens, sendo eu mesma, porque, afinal, não o saberia ser se não sendo eu própria. Quero ser tudo, sendo nada. " Escrito por mim algures em 2008