Avançar para o conteúdo principal

eu e a Florbela Espanca - especificidades de um estado de espírito sem época



Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas do raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser uma espécie de D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dom de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa! Toda, enfim, esta frase a propósito de Delteil: «Très simples avec enthousiasme à sa droite et son désespoir à sa gauche.».

in Correspondência, 1930

Comentários

  1. :D hoje estava a ver um livro de sonetos dela algures e na contracapa dizia qualquer coisa tipo «É uma alma igual à minha, é um outro eu». Assinatura: Fernando Pessoa. *.*

    ResponderEliminar
  2. (não sei se já disse, mas este blog esta lindo!)

    ResponderEliminar
  3. obrigadaaa ^.^ ohh! Esse homem era uma pessoa cheira de razão! :D se tivessemos vivido naquela altura, tinhamos sito todos amiguitos!!!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Carta do Além (retalhos de uma memória)

Passei meses sem escrever... triste demais para o fazer, mas este caderno era para momentos assim... Antes escrevia coisas cheias de esperança... aquela esperança que não é mais do que a fé. Mas a minha fé foi-se, ou talvez nunca tenha sido, de facto. Mas foi quando deixei de ter fé (ou de querer ter fé) que deixei de escrever... Talvez por medo de mim própria, do monstro que vive em mim e que eu passei todo este tempo a abafar. Quando consegui voltar a escrever, era tudo menos bonito. Aliás, é tudo menos bonito. É tudo menos bonito mas é quem eu sou... Agora é que eu sou! E tenho medo. Tenho medo de mim, tenho medo de te magoar. Medo de fazer algo sem pensar (que já está mais do que pensado). Medo de estar a escrever para que compreendas o que se passou... porque quando houver algo para explicar eu não vou estar para o explicar... Sei que és a única que possivelmente compreenderia! Sei que é pela tua amizade que continuo a viver. * Para Sempre * « As estrelas são bonitas por ...

Presságio

Houve um tempo em que havia mais do que tempo. Não sei nomear o que nos escorregou das mãos. Por entre os dedos do amor, a areia humedecida da ampulheta secou. Se fosse de outra forma, não seria o tempo. A manhã às vezes traz-nos a lua de olhar aguçado.  Gostava de te beijar as entranhas, de saber do que és feita,  aí dentro, dentro das artérias do coração Gostava de te ouvir cantar quando a luz apaga e ninguém consegue comprovar que também és humana. Era em ti que eu viria a adormecer, a beijar a tua alma. Não podemos ser todos iguais, mas podemos abrir janelas nas paredes, podemos abrir rios nos trilhos das florestas, podemos amar quem nunca foi amado. Vinho tinto, sempre o vinho tinto a lembrar-me  que a volúpia faz parte da vida, como o Porto faz parte da alma. O espirituoso está na capacidade de tirar os pés da terra, sem nunca arrastar os dedos inferiores. O corpo humano foi feito para ficar de pé, com os pés na terra, a empurrar para cima, com os olhos no Todo. Pod...

Corpo controlado, mente descontrolada.

Olhei para ti ao longe, naquele entardecer outonal. Quis beijar-te quando me sorriste de alegria. Engordas-me as pupilas. Enterneces-me, digo. Procuro em mim a resolução para esta dificuldade de expressão como se aquela música portuguesa falasse finalmente para mim. Queria fazer-te ouvi-la. Queria que a conhecesses, que a pudesses entender sem que eu a traduzisse. Queria abraçar-te docemente na embriaguez da atracção, na profundidade dos nossos desejos. E ainda uma incerteza de completude a excitar-nos a paixão. Olhar-te pela manhã leva-me a soltar a imaginação. Consegues ver-me na tua? Mas o teu pescoço... Esse íman que magnetiza a minha mente. Já nem sei acalmar o fluxo dos meus nervos. O sangue circula freneticamente. E mais do que fluído, meu amor, é mesmo sem controlo. Como permaneço eu sob controlo, então? Respeito-te. O respeito e a admiração que te tenho controla-me o descontrolo. Corpo controlado, mente descontrolada. Quem me dera a mim saber-te mais. Resta-me aguardar pel...