Avançar para o conteúdo principal

que as coisas não expludam agora


Estou farta de viver no medo. Naquele medo que nos gela as reacções, a naturalidade, e espontaneidade. Entro em epilepsia sanguinea de cada vez que me dou conta da quantidade de olhos que me julgam e que estão à espreita, a aguardar pacientemente que eu pise o risco, que eu erre, que eu siga os meus instintos e a minha vontade. Às vezes congelo com determinadas perguntas, com determinadas conversas porque não sei o que é suposto responder, ou dizer, como é suposto reagir. E sem reagir já estou a reagir de alguma forma. E sem saber já me estão a julgar por isso.

Estou cansada de viver de relógio atado ao pulso, quais algemas a cronometrar as minhas reacções. Estou genuinamente farta de sentir que vivo no limite, que ando por terrenos armadilhados, minados, e que basta um passo irreflectido, um desequilibrio, um empurrão de alguém ou uma simples ventania. Dou esse passo, ou caio e tudo explode. E as coisas não podem explodir. Não agora. Eu não quero que as coisas expludam agora.

Mas ao mesmo tempo era melhor que explodissem. Livrar-me-ia de vez desta sensação diaria de castração e impotência. Ou talvez não... talvez seja simplesmente e irremediavelmente crónico. Talvez faça parte da genuinidade do meu ser...


LOV ' YOU

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Vacinas de inteligência

bom, hoje cheguei à conclusão mais importante da minha vida: Devia haver uma vacina de inteligência que fosse administrada logo à nascença. Já imaginaram? todas as pessoas serem inteligentes, não haver cromos, não haver cegueira (daquela cegueira que Saramago fala), não haver trolhas tal como os conhecemos, não haver estúpidos...  Enfim, não iria encontrar gente a dizer que as culturas islãmicas não são cultura nem são nada (quando, como é óbvio, é mais do que sabido que se trata de uma questão cultural). Não ia encontrar gente a dizer que é uma aberração as vacas, por serem sagradas, andarem a passear pelas ruas da Índia porque há pessoas a passar fome (quando em Portugal também há pessoas a passar fome e os cães e os gatos lá andam pelas ruas. Como é obvio, também é uma questão cultural).  Não ia encontrar gente materialista. Não ia viver no mesmo mundo que os patrões egoístas que conseguem lucros loucos e pagam menos do que o ordenado mínimo aos seus tr...

Carta do Além (retalhos de uma memória)

Passei meses sem escrever... triste demais para o fazer, mas este caderno era para momentos assim... Antes escrevia coisas cheias de esperança... aquela esperança que não é mais do que a fé. Mas a minha fé foi-se, ou talvez nunca tenha sido, de facto. Mas foi quando deixei de ter fé (ou de querer ter fé) que deixei de escrever... Talvez por medo de mim própria, do monstro que vive em mim e que eu passei todo este tempo a abafar. Quando consegui voltar a escrever, era tudo menos bonito. Aliás, é tudo menos bonito. É tudo menos bonito mas é quem eu sou... Agora é que eu sou! E tenho medo. Tenho medo de mim, tenho medo de te magoar. Medo de fazer algo sem pensar (que já está mais do que pensado). Medo de estar a escrever para que compreendas o que se passou... porque quando houver algo para explicar eu não vou estar para o explicar... Sei que és a única que possivelmente compreenderia! Sei que é pela tua amizade que continuo a viver. * Para Sempre * « As estrelas são bonitas por ...

Filmes que me marcaram # 01 # O Corcunda de Notre Dame

Após muito tempo de deliberação a pensar em qual o filme ideal para estrear os "Filmes que me marcaram", decidi optar pelo Corcunda de Notre Dame. Porquê? porque sim. Título original: The Huntchback of Notre Dame Lançamento: 1996 (EUA) Direção: Gary Trousdale, Kirk Wise Actores EUA: Tom Hulce ( Quasimodo ), Demi Moore  ( Esmeralda ), Tony Jay ( Frollo ), Kevin Kline  ( Febo ). Actores da versão portuguesa : Rómulo Fragoso e Tó Cruz nas canções ( Quasimodo ), Isabel Ribas e Dora Fidalgo nas canções ( Esmeralda ), Mário Pereira e José de Oliveira Lopes nas canções ( Frollo ), Paulo B ( Febo ). Duração: 91 min Gênero: Animação Sinopse: Em Paris, durante a Idade Média, vive Quasímodo (Tom Hulce), um corcunda que mora enclausurado desde a infância nos porões da catedral de Notre Dame. Até que, um dia, Quasímodo decide sair da escuridão em que vive e conhece Esmeralda (Demi Moore), uma bela cigana por quem se apaixona. Mas para conseguir...