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Todas as noites...

O meu mundo inteiro, cheio de resquícios de nada e de pensamentos insistentes no mais intermitente estado de alma, despedaçado, pendurado meio vivo meio morto num mundo cancerígeno até às entranhas. As vísceras sociais alimentam-se desalmadamente dessas carcaças vazias de racionalidade e eu observo. Às vezes luto, às vezes desvio o olhar, ignoro mesmo sabendo que existem. 

A noite, o escuro, os monstros, eles voltam todos para mim ao escurecer. Olham-me, respiram-me, beijam-me contra a minha vontade, despem-me, violam-me e degulam-me, esventram-me, deixam-me morrer lentamente, levando um pedaço meu como recordação. Todas as noites. E todas as noites finjo, actuo, misturo-me na vida dos outros, na vida de personagens fictícias que me façam esquecer a minha essência. 

Longe de mim, Longe de mim, penso, quero-me longe de mim. Mas há sempre um fim, e no fim não há alternativa se não voltar a mim. Voltar a mim para repetir eternamente esse devaste maldito, cíclica agonia sem fim.



LOV ' YOU

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