quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sobre a pluralidade de self-harming

Nunca vi grande diferença entre cortar os pulsos (ou outra parte do corpo), arrancar cabelos, ou qualquer outra forma de self-harming, e fumar, beber, drogar-se. Exactamente da mesma forma que suicídio por overdose de drogas de qualquer tipo não é diferente de suicídio com pistola, ou enforcamento, ou atirar-se para dentro de um poço ou para a frente de um comboio. 

Ás vezes dou por mim a pensar quanto pesa a minha promeça e quanto pesam alguns minutos inofensivos de alívio. Não é que me sinta culpada. A minha intenção não é magoar-me para me punir. A minha intenção não é sequer sentir alguma coisa. É precisamente deixar de sentir. Esquecer. Fazer pausa. Apenas por uns minutos. Fazer pausa. 

Sorrir doi, acreditem, doi mais do que self-harming.

Mas promessa é promessa.

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LOV ' YOU

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Todas as noites...

O meu mundo inteiro, cheio de resquícios de nada e de pensamentos insistentes no mais intermitente estado de alma, despedaçado, pendurado meio vivo meio morto num mundo cancerígeno até às entranhas. As vísceras sociais alimentam-se desalmadamente dessas carcaças vazias de racionalidade e eu observo. Às vezes luto, às vezes desvio o olhar, ignoro mesmo sabendo que existem. 

A noite, o escuro, os monstros, eles voltam todos para mim ao escurecer. Olham-me, respiram-me, beijam-me contra a minha vontade, despem-me, violam-me e degulam-me, esventram-me, deixam-me morrer lentamente, levando um pedaço meu como recordação. Todas as noites. E todas as noites finjo, actuo, misturo-me na vida dos outros, na vida de personagens fictícias que me façam esquecer a minha essência. 

Longe de mim, Longe de mim, penso, quero-me longe de mim. Mas há sempre um fim, e no fim não há alternativa se não voltar a mim. Voltar a mim para repetir eternamente esse devaste maldito, cíclica agonia sem fim.



LOV ' YOU

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

intrinsecamente




Às vezes gostava de ter dono, de ter casa, de me sentir em casa em minha casa, de estar bem onde estou, de não andar sempre a olhar para o lado à procura de algo que não sei exactamente o que é, mas que nunca é o que vejo.


Não sei se passa, esta insatisfação, este sentimento de despertença. Nem sei onde me leva. Geralmente não me leva a lado nenhum. Não me move, não me transporta. É sobretudo inútil e é-me soberbamente intrínseco. Intrinsecamente deprimente.


Estou seca de me inspirar. Estou seca de respirar. Volto ao mesmo sítio do labirinto de sempre. Eu sei onde está o caminho certo, onde está a saída. Eu sei, mas não o vejo. Não quero ver. Quem me garante que o que vem depois não é pior? Eu não sei. Vocês sabem? Quem me garante?


LOV ' YOU