sábado, 17 de setembro de 2011

estupidezes alheias


Quando era miúda, queria ser fixe, queria que dissessem que era fixe. Achava que isso era um qualquer selo de autenticidade de aceitação social. e pior, achava que precisava mesmo desse selo. Tentei, obviamente, conseguir esse selo, praticando muitas estupidezes (que não há outra forma de o conseguir). Mas eu não conseguia disfarçar que era diferente, que não era fixe, pelos meus gostos e pelas minhas preferências, por atitudes que tomava e que deixavam qualquer fixe a pensar "que croma". Mantive longas amizades com pessoas com as quais não me identificava, que não me compreendiam, que gozavam com as minhas opções.


O facto de eu ouvir música pesada, para alguns, era uma anedota, para outros era-o o facto de eu ouvir também música calma. Anedota também foi o facto de eu querer ser vegetariana ou simplesmente o amor. o amor... Eles não sabiam, mas estavam a tornar-me mais forte, a dar-me mais motivação para continuar a gostar do que gosto e não querer saber do que é ou não fixe. Também me deram força para uma coisa menos feliz, mas isso é outra história. E deram-me força, sobretudo para me afastar de gente fixe porque, bem, isso para mim não era fixe. Eles é que eram cromos, fotocópias uns dos outros, hipócritas recalcados.Conhecer a minha melhor amiga naquela altura foi, na verdadeira e completa acepção da palavra, a minha salvação.




As pessoas cansam-se de mim porque eu digo o que penso, não o que esperam que eu diga. Esse deve também ser o motivo pelo qual gostam de mim.

LOV ' YOU

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Filmes que me marcaram # 05 # Monólogos da Vagina



Título Original: The Vagine Monologues
Lançamento: 2002
Direcção: Eve Ensler
Actores: Eve Ensler, Steve C. Lawrence, Cathy Richardson.
Duração: 76 min
Gênero: Comédia / Documentário
País: Estados Unidos
(Indicação Etária: + 16)

Sinopse: Criado e interpretado por Eve Ensler, que debutou no off Broadway em 1996. Este controverso trabalho iniciou rapidamente uma onda nacional de boas críticas e continuou a percorrer a América do Norte e todo o mundo. Os Monólogos da Vagina captura a performance única de Eve Ensler e viaja para além dos palcos à medida que ela explora o ímpeto criativo por trás dos monólogos, e conduz uma série de novas e reveladoras entrevistas tão inspiradoras como aquelas que motivaram o trabalho original.

Porque é que me marcou?

Não sei muito bem o que dizer, além do óbvio... Mas terei de ir por aí. O Monólogos da Vagina fez-me perceber que algo está errado no mundo quando não podemos chamar a uma parte do nosso corpo o verdadeiro nome dela. Fez-me perceber o quão ridículo é dizermos "lá em baixo", "pombinha", "pipi", "cona", etc..., fez-me perceber como a maioria dos homens não sabe como lidar com uma vagina, não sabe como fazer a mulher sentir-se bem por ter uma vagina, além de lhe atribuir a única função de receber um pénis... Entre muitas outras coisas. É um filme feminista com um óptimo sentido de humor a eufemizar a provocação e verdadeiramente íntimo e público ao mesmo tempo.


Não encontrei um Trailer decente por isso aqui vai um excerto do filme:

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

As minhas noites e os meus Monstros – Claustrofobia Cáustica Encurralada

A noite assusta-me, mais do que qualquer outra coisa. Eu não tenho monstros debaixo da cama ou no armário, as sombras esquisitas das árvores na parede não me incomodam e o paranormal não é uma ameaça. O que me assusta é outra coisa, outra coisa invisível, mas existe. É que à noite os meus Monstros libertam-se e comem-me viva. Esgotam-me os sorrisos e criam rios pela minha cara que continuam pelo meu pescoço, até ao meu peito. É assim que me secam os olhos. O pior é que os meus Monstros não são imaginação ou miragem. Atormentam-me, torturam-me e por vezes tentam matar-me. A noite assusta-me mais do que qualquer outra coisa e eu tenho medo. Os meus Monstros trazem o pior de mim e vêm acompanhados de todos os meus medos. Outras vezes são persistentes e resistentes ao tempo. Arrastam-se pelas horas e deixam de ser criaturas da noite para passarem a escurecer o dia. E o meu sono arrasta-se acordado porque não me deixam fexar os olhos. Faz parte da tortura. Eu? Eu olho em redor. A luz fica pesada na parede e tudo fica congelado. Todos os átomos, partículas ou células parecem estar congelados. Por vezes também eu fico congelada, concentrada nas estátuas que me rodeiam e na minha estúpida respiração que interrompe. Outras vezes, crio movimentos porque preciso circular o ar que, por uma claustrofobia cáustica, me encurrala. Mas os Monstros mais combativos são aqueles que trazem a verdade. Esses vêm para ficar. Esgotam-me exaustivamente até que perco o tempo, até que perco a força, até que perco a coragem, até que perco a vontade e me dou finalmente por vencida pelos meus Monstros da Verdade. Durmam bem, Monstros da Mentira. Os outros Monstros? Não saberia viver sem eles.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

the thing about the truth...








"eu não devo olhar para a verdade
ela como o sol pode cegar
quando o meu coração bater sozinho
eu juro que os meus olhos vão fechar"



Manel Cruz (Foge Foge Bandido)

domingo, 4 de setembro de 2011

I am ?






Acho que só procuro encontrar-me e, por outro lado, acho que já me encontrei e só tenho medo de abrir os olhos para ver onde estou...