Sinopse: Ásia tem 18 anos, está no hospital em coma e sua mãe e seu namorado, Natanael, tomam conta dela. Pouco a pouco vemos os eventos que levaram Ásia para o hospital, seu relacionamento com sua mãe, seus amigos e seu namorado, e, acima de tudo, com Eloise, uma misteriosa garota que lhes apresenta um mundo de novas sensações e com quem irá relembrar um episódio doloroso de seu passado, do qual sua mãe não está disposta que venha à luz. Finalmente, Ásia vai lutar para ser feliz em seu relacionamento com Eloise.
Porque é que me marcou?
É um filme sobre um amor lésbico, os problemas de aceitação da orientação, a influência da sociedade conservadora e as repercussões negativas que isso traz para quem tenta encontrar-se. A banda sonora é muito bonita e toda a história é simples e poderia ser resumida em algumas linhas. A primazia deste filme está na forma como essa história é contada, nas analepses e prolepses fabulosas. Um filme realmente inspirador e que mostra sem preconceitos a veracidade de um amor entre duas mulheres. É acima de tudo, uma óptima reflexão para os pais preconceituosos pensarem se é mais importante o filho ser heterossexual ou estar vivo e não se matar por causa desse preconceito.
É um filme sobre uma família lésbica. Isto é, duas lésbicas vivem juntas e, recorrendo a um banco de esperma, cada uma teve um filho. no filme, essa família é-nos retratada como uma família "normal". DEMASIADO igual às comuns. Em todo o filme, na narrativa, não há qualquer tipo de discriminação homofóbica. Não há mães nem filhos gozados e escarneados na escola. E com tanta "normalidade", parece que há sempre algo de muito anormal em todo o filme. A negação dos males da sociedade e das pessoas homofóbicas não é uma boa forma de fazer ver aos espectadores que aquela família É normal. Depois, o próprio filme é tendencialmente machista e aponta sempre para uma insatisfação sexual das lésbicas (entre outras particularidades), ou seja, o próprio filme acaba por ser homofóbico.
Começa com as duas lésbicas a recorrerem a um filme pornográfico gay - com dois homens - para supostamente terem mais prazer em conjunto, facto que é mais tarde descoberto pelo filho e que questiona o porquê de não verem filmes com mulheres em vez de com homens. Face a isso, uma delas explica que a sexualidade da mulher é "interior" e que por vezes é excitante para as mulheres verem a sexualidade "exteriorizada". e para quem tinha dúvidas do que se queria dizer, explica: "like with a penis". Apresentam, portanto, sem rodeios, a ideia de que uma mulher não consegue satisfazer-se com outra mulher (coisa que também já tinha sido sugerida aqui e ali com a presença de alguns "brinquedos"). Esta explicação, serve depois como desculpa - para o espectador - quando a mesma mulher trai a sua companheira com um homem. E é ver o seu rosto iluminado dizer um sonante "Helloo!!" perante o pénis. A orientação sexual da lésbica e o amor que sente pela sua companheira nunca são postos em causa, por isso, cabe a nós compreender que ela só continua a fazer sexo com ele por puro prazer - prazer que supostamente não conseguia ter com outra mulher porque a mulher não tem pénis, e que é tão irresistível que nem a culpa a faz deixar de trair a mulher com o homem. E por isso continuam os sucessivos orgasmos provocados por um corpo masculino (quando na realidade os orgasmos das mulheres nas relações heterossexuais são muito poucos). Mas por parte da outra lésbica parece haver mais compreensão do que mágoa e poucos dias depois de descobrir a traição, já a perdoou.
Outro ponto interessante é o facto de, no fundo, esta família ser mais patriarcal do que à partida poderia parecer. Há visivelmente uma que ocupa o lugar do homem - dominante - e outra que ocupa o lugar da mulher - dominada. A primeira, o homem da casa, é médica, logo, anda sempre muito ocupada com o trabalho, usa cabelo muito curto, roupas masculinas e tem pouca sensibilidade. Esta é ciumenta e possessiva e supostamente quis que a companheira deixasse o antigo emprego porque gosta de a ter em casa. é, por isso, o sustento da casa e da família. A segunda, a "esposa", é sensível, mais meiga com os filhos, é decoradora de exteriores, cabelo comprido roupa mais feminina (excepto no trabalho) e sofre de falta de reconhecimento e de atenção da companheira. Adivinhem quem traíu! claro, a segunda. A primeira não hesita depois em defender o que é dela perante a ameaça de outro macho: "this is my house. this is my family".
Há ainda uma intenção clara em mostrar que ambos os filhos (o filho e a filha) são heterossexuais, mostrando como ele facilmente se afasta do amigo quando percebe que ele não é verdadeiramente amigo dele e também a forma como ela beija um rapaz por quem se interessa.
e, assim, um filme que podia estar incluído no "great year for lesbians" (de que falou Anne Hathaway) e que até podia ser educativo para os homofóbicos, transforma-se num filme que só contribui para a continuação de preconceitos e tabus parvos de uma sociedade que nunca mais cresce.
Após muito tempo de deliberação a pensar em qual o filme ideal para estrear os "Filmes que me marcaram", decidi optar pelo Corcunda de Notre Dame. Porquê? porque sim.
Título original: The Huntchback of Notre Dame
Lançamento: 1996 (EUA)
Direção: Gary Trousdale, Kirk Wise
Actores EUA: Tom Hulce ( Quasimodo ), Demi Moore ( Esmeralda ), Tony Jay ( Frollo ), Kevin Kline ( Febo ).
Actores da versão portuguesa: Rómulo Fragoso e Tó Cruz nas canções ( Quasimodo ), Isabel Ribas e Dora Fidalgo nas canções ( Esmeralda ), Mário Pereira e José de Oliveira Lopes nas canções ( Frollo ), Paulo B ( Febo ).
Duração: 91 min
Gênero: Animação
Sinopse: Em Paris, durante a Idade Média, vive Quasímodo (Tom Hulce), um corcunda que mora enclausurado desde a infância nos porões da catedral de Notre Dame. Até que, um dia, Quasímodo decide sair da escuridão em que vive e conhece Esmeralda (Demi Moore), uma bela cigana por quem se apaixona. Mas para conseguir concretizar seu amor Quasímodo terá antes que enfrentar o poderoso Claude Frollo (Tony Jay) e seu fiel ajudante Febo (Kevin Kline).
Porque é que me marcou?
Primeiro porque foi o primeiro filme da Disney que vi sem ser dobrado em português do Brasil e continua a ser, na minha perspectiva, uma das melhores dobragens em portugues de portugal. Depois, é uma grande reflexão sobre quem excluimos e sobre a nossa responsabilidade indvidual ao fazê-lo. A fazer-nos interrogar "Quem é o mostro e o homem, quem é?". banda sonora fabulosa e história diferente (leia-se, sem ser sobre príncipes e princesas). Mas marcou-me sobretudo pelo facto de na altura eu não ter ficado feliz com o final feliz. Tanto que, com os bonecos provavelmente saídos no McDonalds, me punha a imaginar o Quasimodo a dar porrada no Febo para poder ficar com a Esmeralda. É que mesmo sendo um filme diferente, o "feio" não fica com a miuda.