estou a perder os pés, mãe. a pele sai-me lentamente como a de uma cobra na mudança de estação. mas por baixo... por baixo apenas carne-viva. e faz frio. mãe, tenho frio. vem a correr atrás de mim com o meu casaco esquecido. tu não te esquecias nunca. e não te preocupavas nunca com coisas outras. não sei, mãe, não sei. estou a perder os pés.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
além das mãos
fala-me de ti com um copo de vinho entre os dedos...
consome o aroma das antigas vindimas a pés descalsos
cantando e dançando o amante pisar do ritual
do sangramento das uvas...
gira os teus pensamentos
gira os teus pensamentos
gira os meus pensamentos
gira os nossos pensamento
gira os pensamentos
degusta o redondo sabor do circundante éter ancião
oh, o eterno suco das almas que movem os nossos espíritos
dentro dos nossos corpos energéticos
movendo-se lentamente
quase estaticamente
num sofá baixo
a uma luz baixa, quente, acolhedora,
qual trono de conhecimento
com uma coroa d'oiro, com uma coruja cravada, no topo dos nossos pés,
unindo o nosso sangre sagrado.
(não o poderia assim ter visto, quando a visão não olhava além das mãos)
quarta-feira, 3 de junho de 2015
o orgasmo dos pés
os meus pés têm dedos porque querem agarrar a relva....
e contorcem-se!
o meu orgasmo tem três faces.
três metamorfoses divinas para a concepção astral perfeita.
não me desapareças assim.
não me apareças assim.
a carne... a carne humana desintegrada em minúsculas partículas da existência visceral terrena desfeitas na feição mais pura da luxúria.
odeias-me na vida, mas amas-me no orgasmo.
e contorcem-se!
o meu orgasmo tem três faces.
três metamorfoses divinas para a concepção astral perfeita.
não me desapareças assim.
não me apareças assim.
a carne... a carne humana desintegrada em minúsculas partículas da existência visceral terrena desfeitas na feição mais pura da luxúria.
odeias-me na vida, mas amas-me no orgasmo.
terça-feira, 2 de junho de 2015
A Safo de Lesbos
Divindade feita corpo terreno
Do vinho de Baco feito vinagre
Afrodite, posse de olhar, poderoso veneno
A cancioneira despe-se naquele acre
E o linho das tecedeiras geme assim
como que gozando as dores do coração
levando a ágora à doce exaltação
de epopeias nunca antes cantadas a ti
Safo, feita deusa, toca-lhes na alma
dos corpos feitos instrumentos,
renasce a bela língua da terra calma
levando longe os ágeis sofrimentos
E o trigo abana-se, incontrolavel mente,
como que libertando aroma a expensão
entre milenares clausuras sem exposição
pedindo amor ao Universo, insaciavelmente.
Do vinho de Baco feito vinagre
Afrodite, posse de olhar, poderoso veneno
A cancioneira despe-se naquele acre
E o linho das tecedeiras geme assim
como que gozando as dores do coração
levando a ágora à doce exaltação
de epopeias nunca antes cantadas a ti
Safo, feita deusa, toca-lhes na alma
dos corpos feitos instrumentos,
renasce a bela língua da terra calma
levando longe os ágeis sofrimentos
E o trigo abana-se, incontrolavel mente,
como que libertando aroma a expensão
entre milenares clausuras sem exposição
pedindo amor ao Universo, insaciavelmente.
entrega-me ao destino em branco
Espaços velhos, vazios, abandonados dentro de mim
de inúmeras cores, monocromáticas monotonias
luzes de fusco, mortas de calor assim
numa aragem de qualquer coisa sombria
sons curiosos, violentas harmonias da alma
desesperados sussurros do moderno, alterno
enchem as paredes, transbordam de calma
o que um dia soou de falso eterno
beija-me as chagas, afaga-me a dor
e abraça-me a cantar, aqui, assim,
no lugar da crueldade d'o amor
no calor d'algo novo, indifinido, apenas, agora
leva-me para longe de mim
pega-me, viaja-me, entrega-me
ao destino em branco, pedaços de fatalidades por escrever
numa barulheira infernal de um qualquer estado pacífico
de um qualquer lugar maravilhosamente perdido
nos achados encontrados algures na linha que corri,
que suei e morri, beijei nunca o correcto,
sensação marginal sem espaço nem fundo
que assim sendo suga a certeza de viver.
Explora-me, guia-me e traz-me de volta ao mundo negro,
por fora cheio de d'algo místico, d'algo estúpido,
que faça sofrer e chorar o que de mais claro
se esconde na escuridão da alma.
Suga-me a vida, o olhar embriagado de noites solitárias
em companhias despistadas, encantadas de cegueira, vazia alegria social.
lava-me a magia do amor, lava tudo. leva tudo!
deixa-me apenas, deixa-me apenas ser e não ser.
Deixa-me, não me assombres, deixa-me!
Viajo sempre e sempre volto.
Volto, mas nunca volto inteira.
Cheia de pedaços partidos, solto
de uma maneira quase ligeira
toda a essência de ser quem sou.
2014
de inúmeras cores, monocromáticas monotonias
luzes de fusco, mortas de calor assim
numa aragem de qualquer coisa sombria
sons curiosos, violentas harmonias da alma
desesperados sussurros do moderno, alterno
enchem as paredes, transbordam de calma
o que um dia soou de falso eterno
beija-me as chagas, afaga-me a dor
e abraça-me a cantar, aqui, assim,
no lugar da crueldade d'o amor
no calor d'algo novo, indifinido, apenas, agora
leva-me para longe de mim
pega-me, viaja-me, entrega-me
ao destino em branco, pedaços de fatalidades por escrever
numa barulheira infernal de um qualquer estado pacífico
de um qualquer lugar maravilhosamente perdido
nos achados encontrados algures na linha que corri,
que suei e morri, beijei nunca o correcto,
sensação marginal sem espaço nem fundo
que assim sendo suga a certeza de viver.
Explora-me, guia-me e traz-me de volta ao mundo negro,
por fora cheio de d'algo místico, d'algo estúpido,
que faça sofrer e chorar o que de mais claro
se esconde na escuridão da alma.
Suga-me a vida, o olhar embriagado de noites solitárias
em companhias despistadas, encantadas de cegueira, vazia alegria social.
lava-me a magia do amor, lava tudo. leva tudo!
deixa-me apenas, deixa-me apenas ser e não ser.
Deixa-me, não me assombres, deixa-me!
Viajo sempre e sempre volto.
Volto, mas nunca volto inteira.
Cheia de pedaços partidos, solto
de uma maneira quase ligeira
toda a essência de ser quem sou.
2014
Faz-me sentir, vê-me chorar!
Algo de mim morreu contigo e ainda não descobri o quê. O que foi de tão vital assim que me deixa mutilada? Uma incompletude genética talvez? Um desaforo genealógico? O que me deixa assim de luto suspenso? Amo-te! Amo-te! Não te disse, mas tu sabias. Amo-te! Amo-te a ti e à minha memória de ti. Amo tudo o que me deste, tudo o que fizeste da minha vida eu amo. Mas faltas-me. Faltam-me coisas sem nome, coragens sem força, conhecimentos de mim que só tu sabias. Amo-te também por isso. Amo-te! Tu sabes, tu sabes. Mas há tanto de ti que não sinto e sinto falta. Saudades do teu espírito. Estás aí? Fala comigo. Transmite-te a minha essência perdida. Passa-me os teus poderes. Leva-me a conhecer-me! Pega em mim ao colo. Pega em mim ao colo! Faz-me sentir, vê-me chorar. Chora-me! Quero-te comigo. Transmite-me emoções e coisas que desconheço. Ensina-me! Ensina-me a mim mesma. Não vás já! Não me deixes já... Quero ver-te! Preciso ver-te para me ver. Tu sabes. Eu amo-te. Tu sabes. Diz-me! O que há de ti em mim? que herança é esta? Não sei e suspeito. Suspeito e não sei. O que há em mim? Quem sou eu? O que há? Revela-te em mim. Estou aberta. Estou pronta. Revela-te. Revela-me.
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